Ouvia essa expressão “fechado para
balanço”, e sempre achei interessante, pois via como um momento de observação
sobre algo, mas nunca tinha feito o processo na roupagem apresentada.
Analisava um pouco a vida quando o fim
de ano chegava, e isso era o máximo a que me dispunha. Penso agora que estava
adiando tal conduta, mas a vida sabiamente convidou-me, para falar a verdade,
fui intimada por ela.
Uma das coisas que aprendi no
transcorrer de minha jornada é que a dor nos indica algo a ser analisado, e
caso não demos a atenção necessária, a dor aumenta transformando-se em
sofrimento. Foi quando eu resolvi “pedir para sair”, e não obtendo êxito,
fechei para balanço.
Tomei essa atitude inconscientemente,
sentia que precisava fazer algo por mim, e por tudo que estava me afetando, e
comecei o processo. Primeiro busquei ajuda externa, tal qual um náufrago agarrava-me
a qualquer tábua de salvação, e agradeço a todas elas, pois como disse, era
algo que vinha a mim, um remédio que aliviava, mas seu uso frequente estava tornando-se
um vício. Inconsciente me tornava refém de pessoas e situações, foi quando
observei que tudo aquilo era um paliativo, pois eu queria me sentir curada.
Então tomei uma atitude que para muitos
foi “suicida”, mas a meu ver era tudo ou nada. Não podia mais perder tempo com
trivialidades, meu ser tinha pressa, uma intensa necessidade de encontrar-se;
precisava experimentar algo por minha própria conta.
Hoje olho para trás e agradeço aos
infortúnios que me ocorreram, pois através deles estou aqui, consciente no
agora.
Uma das coisas que se faz quando se está
em balanço é fechar as portas, essa foi minha primeira atitude, me dei férias.
Necessitava descansar das intempéries da minha vida repleta de carências. Um
ser carente sempre está sedento por algo, e mesmo que isso lhe seja dado, ele
sempre irá querer mais.
E nesse fechamento observei que meu
estoque estava zerado, estava funcionando no vermelho, e precisava me abastecer
verdadeiramente.
Algumas coisas precisam ser nossas,
precisamos tê-las, e em abundância, dessa forma nos libertamos dos sofrimentos.
Quando começamos uma faxina, observamos
o quanto temos de supérfluos, e infelizmente às vezes nos falta o essencial.
Preferi partir em busca da essência que
tudo transforma, tudo prospera, e quando encontrei vi as minhas necessidades, e
compreendi o porquê de tantas circunstâncias vividas durante esse tempo de
penúria. Falo dessa forma porque hoje vejo o quanto eu estava perdida, cega no
meio de uma multidão agitada.
Fechar para balanço foi a forma que
arranjei de me encontrar. Estar diante dos meus “quereres”, e conscientemente
dizer “essa sou eu”.
O que precisa ser limpo, está sendo; o
que necessita ser consertado, também.
O que machuca merece atenção; objetos de
desejo, observação.
Sentimentos, analisá-los, e discernimento
no que escolho para mim daqui por diante.
É um processo em que estou me cuidando, e como está sendo prazeroso não tenho pressa de findar. Tenho apenas a
certeza de que agora estou no caminho.
É uma eterna descoberta de mim mesma,
por que agora eu sou mais eu.
Seja também mais você.
E então, alguma vez já fechou para
balanço?
Namastê.
Espavo.
Intuística
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Ana Paula