sexta-feira, 8 de abril de 2016

FECHADO PARA BALANÇO



Ouvia essa expressão “fechado para balanço”, e sempre achei interessante, pois via como um momento de observação sobre algo, mas nunca tinha feito o processo na roupagem apresentada.
Analisava um pouco a vida quando o fim de ano chegava, e isso era o máximo a que me dispunha. Penso agora que estava adiando tal conduta, mas a vida sabiamente convidou-me, para falar a verdade, fui intimada por ela.
Uma das coisas que aprendi no transcorrer de minha jornada é que a dor nos indica algo a ser analisado, e caso não demos a atenção necessária, a dor aumenta transformando-se em sofrimento. Foi quando eu resolvi “pedir para sair”, e não obtendo êxito, fechei para balanço.
Tomei essa atitude inconscientemente, sentia que precisava fazer algo por mim, e por tudo que estava me afetando, e comecei o processo. Primeiro busquei ajuda externa, tal qual um náufrago agarrava-me a qualquer tábua de salvação, e agradeço a todas elas, pois como disse, era algo que vinha a mim, um remédio que aliviava, mas seu uso frequente estava tornando-se um vício. Inconsciente me tornava refém de pessoas e situações, foi quando observei que tudo aquilo era um paliativo, pois eu queria me sentir curada.
Então tomei uma atitude que para muitos foi “suicida”, mas a meu ver era tudo ou nada. Não podia mais perder tempo com trivialidades, meu ser tinha pressa, uma intensa necessidade de encontrar-se; precisava experimentar algo por minha própria conta.
Hoje olho para trás e agradeço aos infortúnios que me ocorreram, pois através deles estou aqui, consciente no agora.
Uma das coisas que se faz quando se está em balanço é fechar as portas, essa foi minha primeira atitude, me dei férias. Necessitava descansar das intempéries da minha vida repleta de carências. Um ser carente sempre está sedento por algo, e mesmo que isso lhe seja dado, ele sempre irá querer mais.
E nesse fechamento observei que meu estoque estava zerado, estava funcionando no vermelho, e precisava me abastecer verdadeiramente.
Algumas coisas precisam ser nossas, precisamos tê-las, e em abundância, dessa forma nos libertamos dos sofrimentos.
Quando começamos uma faxina, observamos o quanto temos de supérfluos, e infelizmente às vezes nos falta o essencial.
Preferi partir em busca da essência que tudo transforma, tudo prospera, e quando encontrei vi as minhas necessidades, e compreendi o porquê de tantas circunstâncias vividas durante esse tempo de penúria. Falo dessa forma porque hoje vejo o quanto eu estava perdida, cega no meio de uma multidão agitada.
Fechar para balanço foi a forma que arranjei de me encontrar. Estar diante dos meus “quereres”, e conscientemente dizer “essa sou eu”.
O que precisa ser limpo, está sendo; o que necessita ser consertado, também.
O que machuca merece atenção; objetos de desejo, observação.
Sentimentos, analisá-los, e discernimento no que escolho para mim daqui por diante.
É um processo em que estou me cuidando, e como está sendo prazeroso não tenho pressa de findar. Tenho apenas a certeza de que agora estou no caminho.
É uma eterna descoberta de mim mesma, por que agora eu sou mais eu.
Seja também mais você.
E então, alguma vez já fechou para balanço?

Namastê.
Espavo.


Intuística

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Ana Paula